Mostrando postagens com marcador Nomes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nomes. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de junho de 2010

NÃO SEI DE DEVO DIZER...



Um nome a mais, um nome a menos... É quase como se dizer: uma palavra a mais, uma palavra a menos...como quem diz que isso pouca diferença faz, se é que faz, pois fica clara, pelas reticências, a dúvida, talvez, aí, a única certeza. E quem já calou, quando deveria ter dito uma palavra, ao menos uma, e nada mais, mesmo que então, no momento de dizê-la, não soubesse que deveria fazê-lo (porque essas coisas, infelizmente, só aprendemos depois), sabe que ela faz, sim, diferença, podendo mesmo fazer toda: um SIM, carregado com o desejo de que seja sempre assim, ou um NÃO, com a esperança de que seja momentâneo. Do mesmo modo, sem trocar as bolas, apenas invertendo o sentido, quem, em lugar de calar, ainda que, então, tenha soltado a língua para dizer um sim somente, ou nada mais que um simples não, quando melhor seria ter ficado de boca fechada, aprendeu, com as consequências inevitáveis, a diferença que há em uma palavra a mais, uma palavra a menos...


Nomes são palavras. São próprios substantivos. São simplesmente palavras que damos à gente, que nos damos, embora o recebamos, sem consulta prévia, e o levemos vida afora. Pela tradição, alguns, que têm seu próprio nome (próprio), com o tempo, com desejo (de um sim longevo), com esperança (de um não que não seja necessário), acrescentam ao seu um outro, o nome de outro, agora seu, por direito ou apenas de fato – o que é um direito seu.


E isso não é apenas uma palavra a mais, assim como um nome que some não é um substantivo a menos, porque as palavras carregam história(s), havendo mesmo a história dos nomes.


Há nomes que parecem, de cara, pesar: mas Cruz, para quem o carrega, pode ser o fardo mais leve entre os seus, se ele traz lembranças suaves; Pena, que parece um nome por demais volátil, pode ser uma verdadeira cruz, se, ida, levada Pena pelo vento, não se consegue disso se livrar, tendo de carregá-lo nas costas.


A coragem de somar ao seu mais um nome é semelhante àquela de, sem certeza absoluta, dizer uma palavra, com dúvida sobre se não seria mais prudente calá-la; de igual bravura àquela que cala em si a palavra já na ponta da língua, intuindo o valor do silêncio nessa hora, ainda que sem a garantia de que se esteja fazendo o certo.


O certo é que a união dos nomes é fato oficial. Errado, na vida, é, não se sabendo se cala ou se fala, evitar, oficialmente, unir-se (a outro nome): e o nome disso, abstrato substantivo, embora real, é: covardia.


Ser covarde é um direito que assiste a todos (nós). Mas quem lança mão desse seu legítimo direito não pode, depois, reclamar do que disse, do que deixou de dizer.


Então, viva(s) – que é o nome que carrego – à coragem das uniões.



CHICO VIVAS


Share/Save/Bookmark

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails